Crise, inovação, redução de custos

Crise inovacao reducao de custos

CRISE, INOVAÇÃO, REDUÇÃO DE CUSTOS

Entre os diversos textos que li recentemente sobre como podemos atravessar o momento da crise, um me chamou a atenção! Chama-se “As empresas diante da crise”, publicado recentemente pelo Augusto de Franco, um dos principais articuladores da Escola de Redes.

O texto fala basicamente sobre o enfrentamento da crise sob a ótica da redução de custos, não aqueles que estamos acostumados, tais como pessoal, custos diretos mensuráveis, racionalização de processos, aumento de eficiência, mas aqueles invisíveis inerentes a qualquer empresa que ainda não percebeu que as relações humanas podem ser o caminho para manter a inovação. “As empresas feitas para durar, são empresas feitas para se transformar”, sem inovação, as empresas estão fadadas a desaparecer. A expectativa de vida de uma empresa no início do século passado era de 75 anos, hoje não passa dos 15 anos.

novo olhar na CRISE:

Dentro da minha jornada como Designer de Processos, sempre usei a filosofia Lean como base de transformação, mas desde que comecei a estudar redes sociais ou como as pessoas se inter-relacionam, venho adaptando a aplicação dos conceitos sob esta nova ótica. E uma das coisas mais importantes que aprendi foi que somos treinados para sermos hierárquicos, não somos assim… podemos nos relacionar de outra forma, mais em rede, é um novo aprendizado. E é com este novo olhar que convido-os a observar os custos invisíveis que são provocados pelos sistemas tipo comando-e-controle.

Para muitos a inovação está focada em mudar radicalmente os produtos, serviços ou processos e para ter impacto precisam ser disruptivas, certo? Nem sempre, o Lean prega a melhoria contínua, observar os desperdícios e reduzi-los sem afetar o fluxo de valor percebido pelo cliente.

Em momentos de crise cortamos os investimentos e iniciamos a redução de custos, ativamos o “modo sobrevivência”. Muitos são os que pregam que é a crise é uma grande oportunidade para inovarmos, e uma das formas de inovar, é parar de repetir modelos saturados. Então que tal observar os custos sob um novo ângulo?

CUSTOS E INOVAÇÃO:

Tentei fazer um breve resumo do texto do Augusto:

É custo não adotarmos uma plataforma de gestão compartilhada (virtual, sem distância, funcionando em tempo real) porque temos medo das restrições reais e imaginárias da legislação trabalhista, a consequência é o baixo aproveitamento da potencialidade do capital humano disponível;

É custo o esforço que temos que fazer para alcançar sinergias que não surgem espontaneamente. Ex: departamentos que não se comunicam, pessoas que não se conversam, excesso de competição interna, enfim verdadeiros feudos. Consequência: muitas pessoas fazendo a mesma coisa, contratando serviços para projetos diferentes mas com o mesmo objetivo, e por fim, não compartilhando aprendizados, fazendo com que o erro se repita ou se propague;

E finalmente, é custo o atrito de gestão: organizações mais centralizadas do que distribuídas que obrigam os fluxos a terem caminhos únicos, quanto mais longo o caminho, maior o atrito. Alguns exemplos: os modelos de organização vertical que provocam a alienação do trabalhador que não sabe bem o que está fazendo; a falta da democracia dentro das empresas; os controles feitorais (pessoas controlando outras pessoas) e o aprisionamento de corpos (há trabalhos que não requerem presença física, mas o comando-e-controle instiga a desconfiança, e as pessoas costumam corresponder na mesma moeda);

Já pensou em monetizar estes custos? Mesmo que você reduza os custos com o corte de pessoal, estes custos invisíveis continuarão a existir, aliás com menos gente fazendo as mesmas coisas, eles até tendem a aumentar.

E por outro lado, já pensou em fazer diferente?


Texto originalmente publicado no Blog meuSucesso.com” em 03/11/2015.

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